Projeto traça perfil do jovem de comunidades pacificadas

19 dezembro 2013 | Notícias, UPP Social

IPP04_2

O Instituto Pereira Passos (IPP) entregou, nesta quarta-feira (19/12), os certificados aos 110 Agentes da Transformação, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O evento celebrou o resultado de uma minuciosa pesquisa de campo, realizada entre agosto e novembro, em 10 comunidades pacificadas do Rio.

O trabalho foi desenvolvido para conhecer a relação do jovem com o mercado de trabalho, a educação, a família e o lazer — uma espécie de Censo da Juventude das Áreas Pacificadas. Foram realizadas aproximadamente 6 mil entrevistas com jovens de 14 a 24 anos, dos quais 50,3% são homens e 49,7% mulheres. Entre eles, 39% são pardos, 28% negros e 27,9% brancos. Boa parte das mulheres declararam ser mães (27%). Entre as religiões, mostra a ascensão dos evangélicos (47% só no Borel), dos católicos (50% no Pavãozinho) e disseram não ter religião, 52% dos jovens no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa.

Coordenador no São Carlos apresenta os resultados da pesquisa. Foto: J. P. Engelbrecht / Prefeitura do Rio de Janeiro.

Coordenador no São Carlos apresenta os resultados da pesquisa. Foto: J. P. Engelbrecht / Prefeitura do Rio de Janeiro.

O Instituto Tim, um dos parceiros do projeto, distribuiu 10 tablets aos jovens que se destacaram na tarefa de entrevistar moradores das comunidades Cidade de Deus, Vidigal, Pavão Pavãozinho, Tabajaras, Providência, Prazeres, Borel, São Carlos, Nova Divinéia e Formiga.

A presidente do IPP, Eduarda La Rocque, disse que os dados da pesquisa vão contribuir para o planejamento de políticas públicas da Prefeitura do Rio, em parceria com o setor privado, universidades e os próprios jovens das comunidades.

— Esse projeto enche os olhos de alegria e emoção porque é o lema do IPP, informação para transformação. Os jovens fizeram um censo nas favelas pacificadas e o resultado vai nos ajudar a planejar políticas públicas da prefeitura. E a grande aposta são as praças de conhecimento, com cursos de capacitação que serão projetados a partir desses dados da pesquisa — adiantou La Rocque.

A gerente de responsabilidade social corporativa do Instituto TIM, Maria da Glória Rubião, explicou que o instituto foi o parceiro tecnológico do IPP, cedendo os tablets para a realização da pesquisa e capacitando a mão-de-obra dos jovens para operar os aparelhos.

IPP02_2

Representantes do IPP e do Instituto TIM com os coordenadores da pesquisa em cada território. J. P. Engelbrecht / Prefeitura do Rio de Janeiro.

— Realmente é um orgulho muito grande participar dessa formatura porque é um trabalho que vai mudar a realidade da cidade, pois só conhecendo os detalhes é possível alavancar o desenvolvimento humano — disse Rubião. O Instituto Tim distribuiu também uma agenda e um CD da Orquestra Sinfônica Brasileira aos participantes.

Uma das coordenadoras do projeto, Andréa Pulici, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ, disse que cada jovem entrevistado respondeu a mais de 100 perguntas. Segundo ela, os pesquisadores também aprenderam muito, pois tiveram a oportunidade de conhecer melhor a comunidade onde vivem.

— Objetivo era conhecer o perfil do jovem morador de áreas pacificadas. Saber o que ele fazia, se só estudava, se trabalhava e estudava, e também o que fazia no tempo livre ou que gostaria de fazer. Enfim, conhecer o perfil desses jovens. Depois dessa formatura, os dados vão ser analisados com calma porque o resultado é muito rico — disse.

Os jovens foram orientados diretamente por um ex-agente do UPP Social que também mora no local. A ideia da pesquisa surgiu da constatação de que não havia dados de qualidade a respeito dessa população específica.

A estratégia era mais uma vez estabelecer o diálogo e partir para a construção de plataformas de capacitação que levem em consideração as expectativas e anseios de quem será beneficiado, gerando dados de qualidade que no futuro servirão de subsídio a políticas públicas e a mudança da realidade desses locais.

Ao final do evento na Cidade das Artes, os 110 agentes transformadores ganharam um presente do responsável pelo megacentro cultural Emílio Kallil. Ele anunciou que os jovens integrantes do projeto terão direito a entrar gratuitamente em eventos promovidos e produzidos pela Prefeitura do Rio em 2014.

 

Colaborou Ricardo Albuquerque, portal da Prefeitura do Rio.

TODO O CONTEÚDO DESTE WEBSITE ESTÁ LICENCIADO SOB A CC ATTRIBUTION 3.0 BRAZIL, EXCETO QUANDO ESPECIFICADO EM CONTRÁRIO E NOS CONTEÚDOS REPLICADOS DE OUTRAS FONTES.